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ROEDORES (ratos) Biologia e Comportamento:

R O E D O R E S

Os ratos pertencem a Ordem Rodentia, que abrange todos os roedores. Das mais de 1.700 espécies distribuídas pelo mundo, cerca de 125 estão classificadas como pragas e 3 são de grande importância para o homem. São elas: Mus musculus, Rattus norvegicus e Rattus rattus. Estas espécies costumam ocorrer isoladamente, porém em algumas situações podemos ter até duas espécies infestando uma determinada área.

Desde os tempos mais remotos do Egito e Mesopotâmia os ratos sempre conviveram com o homem tanto no campo como nas cidades, sendo chamadas de espécies sinantrópicas, devido à convivência com o homem, contra a vontade dele. A Organização Mundial da Saúde estima prejuízos na ordem de US$ 10,00 para cada roedor e pressupõe-se a existência de 3 roedores por habitante. No caso do Brasil que possui cerca de 170,0 milhões de habitantes(2004), o prejuízo anual esperado está acima de US$ 4,0 bilhões.

Estes animais competem diretamente com o homem por alimentos uma vez que atacam culturas e produtos armazenados. Estima-se uma perda anual de até 8% da produção mundial de cereais e raízes, estima-se também que cada roedor consuma por dia o equivalente a 10% de seu peso. As perdas ainda podem ser maiores se considerarmos a contaminação dos alimentos por urina e fezes e o desperdício pelo rompimento de sacarias e outras embalagens, o mesmo acontecendo com os farelos e rações animais. Países importadores com rígidos níveis de higiene podem condenar toneladas de alimentos pela simples presença de alguns poucos montículos de excrementos, acarretando elevados prejuízos.

Diversos setores da cadeia produtiva agropecuária também sofrem a ação destes roedores, como nas indústrias de aves e suínos, refinarias de óleos, usinas de álcool e açúcar, fábricas de rações, granjas, locais de armazenamento, lavouras, pequenas criações.

A presença destes roedores em nosso meio ainda pode acarretar outros problemas como os acidentes devido aos danos causados em fios e cabos de máquinas e instalações elétricas.

A presença de ruídos e chiados em ligações telefônicas se devem muitas vezes aos ratos. Cabos e fios danificados perdem a capacidade de transmissão e ficam sujeitos a umidade e ação de outros agentes, como as formigas. Diversas instituições têm pesquisado materiais resistentes a ação de roedores. O revestimento de cabos com fibra de vidro desestimula o roedor, uma vez que as farpas de fibra machucam a boca dos mesmos. Os ratos têm a necessidade de roer, para gastar os dentes que crescem incessantemente. Os ratos são ainda responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças ao homem. A Organização Mundial da Saúde já catalogou cerca de 200 doenças transmissíveis, destacando-se a leptospirose, tifo, peste bubônica, febre hemorrágica, salmonelose, nefrite epidêmica, sarnas, micoses, helmintíases entre outras. Os ratos (Rattus norvegicus e Rattus rattus) urinam várias vezes ao dia e em pequenas quantidades, aproximadamente 40 vezes. Com esta informação e estes sendo vetores de doenças, podemos calcular quantos possíveis focos de contaminação estariam disseminados pelo ambiente.                            

 

Exemplo: 10 ratos x 40 (urinadas ) x 365 dias/ano = 146.000 focos disseminados.

 

OS RATOS ESTÃO CLASSIFICADOS COMO:

REINO: Animal – RAMO: Chordata (VERTEBRADOS)                    CLASSE: Mammalia (MAMÍFEROS) – ORDEM: Rodentia (ROEDORES)     SUB ORDEM: Myomorpha – FAMÍLIA: Muridae (Rattus norvegicus, Rattus rattus, Mus musculus)

Ratos e camundongos possuem uma capacidade adaptativa que os credenciam sobreviverem e proliferarem nos mais diversos ambientes, igual ao homem.

São altamente prolíficos, resistentes e possuem uma extrema habilidade corporal que permite transpor obstáculos e caminhar sobre cordas e fios.

Alimentam-se de diversos produtos de origem vegetal e animal, diariamente consomem aproximadamente um décimo do seu peso em alimento.

Possuem dois pares de dentes incisivos, que crescem até 3 mm por semana, necessitando roerem objetos resistentes como cabos elétricos, madeira, plásticos e concreto, a fim de desgastar os dentes.

 Algumas espécies de roedores (Rodentia) associadas com ambientes de armazenamento, que ocorrem na América do Sul.
Família Espécie
Cricetidae Akodon azarae
  Calomys calossus
  Calomys laucha
  Calomys musculinus
  Oryzomys flavescens
Muridae Mus musculus
  Rattus norvegicus
  Rattus rattus

 

PROBLEMAS OCASIONADOS PELOS ROEDORES NOS ARMAZÉNS

– Consumo direto de alimentos;

– Contaminação e danos nos alimentos.

Danos estruturais – Transmissão de doenças

Fontes de reinfestação em áreas adjacentes Custos associados com a operação de controle. 

BIOLOGIA E COMPORTAMENTO

Os roedores possuem uma grande capacidade reprodutiva, sendo limitada apenas por certos fatores como doenças, falta de alimento e abrigo. São dotados de uma série de características sensoriais e físicas. Para conhecer melhor a biologia e comportamento dos roedores, os seguintes tópicos foram selecionados:

HABILIDADES SENSORIAIS

O olfato é uma habilidade sensorial muito apurada nos roedores. Costumam marcar as trilhas, as quais percorrem podendo delimitar áreas e detectar condições favoráveis ao acasalamento. Não estranham o odor do ser humano. O tato é um dos sentidos mais desenvolvido nos ratos, principalmente devido à presença dos pêlos sensitivos, presos ao focinho, e pêlos tácteis, ao longo do corpo. Os pêlos sensitivos permitem-lhes orientar-se no escuro, enquanto os pêlos tácteis possibilita-lhes percorrer superfícies de difícil equilíbrio como o caso de fios e cabos elétricos.

A audição é muito aguçada e sensível a ruídos estranhos, habilidade muito importante devido ao hábito noturno. Os ratos podem adaptar-se aos ruídos e também aos ultra-sons. A visão é adaptada para ambientes escuros, são sensíveis as luzes e não enxergam muito bem, não percebem as cores, somente as variações de claro e escuro.

O paladar é altamente desenvolvido podendo discriminar e memorizar os diferentes gostos, rejeitando alimentos estragados e identificar raticidas misturados ao alimento. 

HÁBITOS ALIMENTARES

As ratazanas e ratos-de-telhado (Gênero Rattus) analisam o alimento antes de consumí-lo.  Iscas ou outro alimento colocados junto à trilha são observados cuidadosamente.

Estes ratos ao desconfiarem não devoram o alimento no aguardo de um rato mais jovem ou inexperiente consumir o alimento, caso o observador note sinais de doença no primeiro rato, este rejeita o alimento e “avisa” os demais da colônia do perigo presente.

Não acontecendo nada de anormal com o primeiro rato, os demais se aproximam e consomem o alimento junto à trilha.

Muitas vezes estes roedores levam alguns dias para consumirem alimentos estranhos. Já o camundongo é uma espécie muito curiosa a mudanças que ocorram ao seu redor.

Os camundongos necessitam de pouca água.

As ratazanas e ratos-de-telhado precisam de um bom suprimento de água, principalmente quando consomem muito alimento seco (cereais, grãos, farelos).

ESTRUTURA SOCIAL

Os ratos são animais que vivem em grupos e convivem em colônia que consiste de pequenas famílias com um macho adulto dominando uma ou mais fêmeas adultas e suas respectivas ninhadas. Os machos dominantes protegem a área pertencente à colônia dividindo-a pelo número de ninhos existentes.

O território da colônia nem sempre é uma área delimitada e fechada, sendo constituída apenas de trilhas marcadas por urina e secreções que servem de orientação. Os ratos dominantes da colônia são machos e fêmeas mais forte e em idade de reprodução, e os dominados os ratos jovens ou muito velhos.

Os machos dominantes expulsam os outros machos os quais permanecem à margem do território, alimentando-se das sobras do dominante. Porém ao identificarem uma nova fonte de alimento (iscas) no território, o dominante espera o dominado ingerir parte deste novo alimento no aguardo de sinais que indiquem que este alimento é seguro. Por isso que os raticidas que possuem efeito imediato demonstram resultado satisfatório no início do controle, e após um período reaparece a infestação com os ratos sobreviventes, ou seja, os dominantes que não ingeriram a isca e passam a rejeitá-la e o local em que se encontrava.

O comportamento social destes roedores confere a colônia um maior número de fêmeas, maior taxa de reprodução e localização estratégica dos ninhos em relação às fontes de alimento e água. A disponibilidade de abrigo, alimento e água determinam o potencial da colônia, podendo ser maior ou menor o número de indivíduos. As áreas urbanas no modelo atual propiciam condições ideais para a proliferação destes roedores. O lixo acumulado e os lixões constituem-se em uma grande fonte alimentar para estes animais. A água pode ser obtida nos alimentos, córregos, redes fluviais, vazamentos e caixas d’água descobertas. Pela facilidade em cavar e escalar estes roedores encontram com facilidade locais para construção e/ou instalação de seus ninhos.

Onde ocorre abundância de alimento podemos encontrar mais de uma espécie de roedores. No caso de limitação de alimento geralmente encontramos uma única espécie.

A alta taxa reprodutiva, rápida maturação sexual e grande número de filhotes em cada gestação são alguns dos fatores que favorecem a explosão populacional destes roedores.

Os fatores que limitam o crescimento populacional são principalmente a disponibilidade de alimentos e a ação do homem no controle destes animais.

Os cães e gatos domésticos não representam um fator eficiente no controle populacional de roedores.

A quantidade de roedores nas diferentes faixas etárias, em uma colônia varia com a taxa de reprodução, mortalidade e migração, que são diretamente afetados pela disponibilidade de alimento, abrigo e água; doenças e parasitas dos roedores e a ação do homem.

O crescimento de uma colônia ocorre lentamente no seu início e rapidamente após um certo período, até os recursos no território da colônia ficarem limitados.

O superpovoamento do espaço territorial acarreta luta entre os roedores, queda na taxa de fertilidade das fêmeas, canibalismo com os recém-nascidos e como conseqüência destes fatores o declínio da população.

Por último ocorre a migração para outras áreas com melhores condições de sobrevivência, podendo ser interpretada até como uma dispersão forçada, destes roedores. Após o retorno do equilíbrio no territorial da colônia, esta volta a crescer acentuadamente até esgotar novamente os recursos disponíveis e as conseqüências acima mencionadas voltam a ocorrer.

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